Título: Bom Crioulo
Autor: Adolfo Caminha
Número de páginas: 154
Assunto: Narrativa Brasileira
Preço: R$ 50,00
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Título: Bom Crioulo
Autor: Adolfo Caminha
Número de páginas: 154
Assunto: Narrativa Brasileira
Preço: R$ 50,00
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Molsheim. A produção em série do Bugatti Chiron1 está acelerando rapidamente. Atualmente, 12 carros superesportivos estão tomando forma na facilidade de produção da marca de luxo francesa, o chamado “Atelier” na sede da empresa. Está previsto entregar os primeiros veículos aos clientes em 2017 e construir até 70 desses carros este ano. Em média, cerca de seis meses passam entre o início da produção e a entrega de um Chiron. 20 funcionários do Atelier reúnem o super esporte mais poderoso, mais rápido, mais luxuoso e exclusivo carro de mais de 1.800 peças individuais, trabalhando exclusivamente à mão.
O Chiron é submetido a testes de aceitação e controles de qualidade mais rigorosos antes de ser entregue ao cliente. Muitas modificações na instalação em Molsheim foram feitas para a montagem do carro super esporte 1,500 PS para ter em conta o seu maior desempenho e a natureza geralmente mais complexa do novo produto e seu processo de produção.
Em sua instalação em Molsheim, em uma localização idílica na Alsácia, que foi o lar da marca desde que foi fundada em 1909, Bugatti está fazendo os sonhos automotivos realidade com o Chiron. Antes que os clientes possam receber a entrega do seu novo Chiron, há muito que fazer. O primeiro passo é a configuração do veículo, que é completada pelo cliente juntamente com um designer da Bugatti. Cada Bugatti é único e é fabricado de acordo com os desejos pessoais do cliente. É por isso que a personalização é uma prioridade para o Bugatti.

Confesso que não foi fácil. Não adianta mentir, fazer pose de bem resolvida, mulher madura consciente, a profissional experiente e todos os demais títulos possíveis para atenuar o fato. A ficha caiu quando um cunhado, que já nem era mais cunhado, soltou a flecha: e aí, agora é contagem regressiva, você já viveu mais do que vai viver!!! Desagradável…. por que jogar por terra meu esforço em lidar com a situação de forma serena- ainda que externamente? Mas, ok, ele tinha razão. E o pior é que gosto muito do meu eterno cunhado.
Enfim, cheguei aos 50, ou melhor, passei.
Agora é tocar o barco, lidar com as rugas, com a pressão alta- primeiro sintoma de que a idade chegou. Me peguei no
espelho falando sozinha: até que não estou mal…, apesar do olhar cansado e da paciência menor com o filho. Felizmente essa nostalgia, os rompantes de realidade, duraram apenas alguns minutos. Logo depois me lembrei das recompensas dos 50. Sim, há muitas recompensas, afinal, somos experientes, vividos, maduros… isso tem que
servir para alguma coisa. E convenhamos, a maior dádiva da idade é ter autonomia para ser quem somos. Não quer dizer que não possamos ter autonomia desde a juventude, mas é um esforço hercúleo enfrentar o mundo e as pessoas antes de mostrar a que veio. Hoje não… hoje sou mulher feita e a autonomia me permite contar a idade, evitar festas sociais chatas pra fazer presença, eventos em que todos desfilam sem saber o que dizer ao outro, evitar pessoas
que só reclamam, me permite afastar de conveniências. Posso até mesmo assumir que não gosto das músicas do Chico Buarque (escondi isso a sete chaves durante a faculdade. Poderia ser linchada). Nessas alturas do campeonato, tenho autonomia para assumir não gosto, não concordo, não quero.
Você pode estar pensando: eu faço tudo isso e não precisei chegar aos 50. Sorte sua. Nem todos se dão a esse luxo, limitados que são pela necessidade de buscar um lugar ao sol. Eu mesma acabei fazendo várias coisas que hoje não faria – alisei o cabelo, morei com gente chata, tratei com todo respeito pessoas que não eram dignas da menor consideração, passei muito tempo longe da minha família em nome do trabalho, enfim, muita coisa. Agora, pela primeira vez, vou passar um mês inteiro com minha mãe nas férias. Não importa se vou perder trabalho ou outra viagem mais divertida. Vou passar as tardes de verão com ela, cochilando e contando “causos” das Minas Gerais. E tudo bem se eu engordar de tanto comer broa de fubá, pão de queijo e rosquinha. Já não faz diferença. Agora eu
passei dos 50, ainda bem!!!
