Alexandra Ilieva: Eu nasci e fui criada na Macedônia (Macedônia do Norte), Europa.
Artium: Quantos anos você tem?
Alexandra Ilieva: Eu tenho 23 anos.
Artium: Você estudou música?
Alexandra Ilieva: Sim. Sou graduada em saxofone clássico.
Artium: Você tem um EP gravado?
Alexandra Ilieva: Infelizmente, não tenho ainda!
Artium: Onde você costuma se apresentar?
Alexandra Ilieva: Pelo mundo inteiro!
Artium: “Sam Smith – I’m not the only one” – você toca incrivelmente, é com a alma?
Alexandra Ilieva: Considerando-a como meu primeiro cover, eu definitivamente estava muito animada e apaixonada por ela! [a canção]. E, com certeza, todas as outras que toquei depois foi de alma e coração!
Artium: A música do Elvis Presley – “Can’t Help Falling In Love With You”, ficou incrível junto com seu saxofone, por que decidiu fazer esse cover?
Alexandea Ilieva: Eu amo os clássicos! Contudo, ninguém consegue resistir a uma canção dessas, eu mesma inclusive!
Artium: O saxofone não é pesado para uma mulher?
Alexandra Ilieva: Com certeza não! Há diversas mulheres pelo mundo provando isso.
Artium: Projetos futuros?
Alexandra Ilieva: Atualmente estou trabalhando com algumas colaborações, algumas já estão lançadas e outras a caminho. Algumas vezes é difícil conciliar performances com novos projetos, mas ainda, estou sempre tentando dar meu melhor para transformar novas ideias em músicas para minha audiência!
Artium: Qual tipo de música que mais te agrada?
Alexandra Ilieva: Apesar de ter estudado música clássica, escuto diversos outros gêneros musicais, mas o que mais me atrai é pop e jazz.
“Alguma coisa está fora de ordem, fora da Nova Ordem Mundial.” (Fora de Ordem, Caetano Veloso, 1991)
(Yue Minjun, Execução – 1989)
Em 2007, quando foi vendida a obra Execução (ilustrada acima), de Yue Minjun por US$ 5, 9 milhões na casa de leilões Sotheby (Londres), ganhando o status de ser a mais valiosa obra de arte contemporânea chinesa, muitos críticos não compreenderam a razão, afinal tratava-se apenas de uma obra inspirada na arte, Três de maio de 1808 de Francisco Goya (1746-1828).
O que estava sendo apresentado ao mundo na verdade, era a ascensão de um corajoso artista, criador do movimento artístico de oposição ao regime opressor estabelecido na China, denominado Realismo Cínico, iniciado após o massacre de centenas de civis na Praça da Paz Celestial, em 1989.
A complexidade da arte de Yue Minjun, é fortemente marcada pela necessidade de interação com espectador. No instante em que um dos personagens da tela se destaca da cena principal para fitar o observador ou apontar em sua direção, o mesmo é capturado para dentro do quadro e passa a ser parte da história ou do inconformismo expresso através da perspectiva do autor da obra. O riso congelado com os olhos cerrados, sempre com a mesma face, retrata o próprio artista, enquanto persona e personagem do drama vivido em seu país. Toda a cena denota um comportamento de escárnio à imposição de uniformização comportamental da sociedade chinesa e uma reação ao estado de cinismo dominante.
(Zang Xiaogang, Série Genealogia, 1997)
Em 1997, o artista plástico Zhang Xiaogang, através de sua Série Genealogia, também contextualizou a infiltração do Estado nas vidas privadas, ocorrida principalmente, após a Revolução Cultural, 1966-1976. Seus trabalhos abordam os padrões comportamentais das famílias chinesas e seus laços de sangue, denominado de Bloodlines. Os arquétipos se apresentam sempre através do conformismo, apatia e da placidez das cores. A quebra da monotonia da imagem se dá pelo destaque da genitália masculina do bebê, relevante para sociedade de reposição de mão de obra, na cor oriental amarela e no fio vermelho que envolve a família para destacar a consanguinidade.
Do mesmo modo surpreendente, a mais valiosa obra humana realizada de todos os tempos, também foi construída na China, denominada Covid-19. Foi concebida pela astúcia do homem da “Nova Ordem Mundial” do pós-Guerra Fria. A política do lucro a qualquer custo sobre uma população per capita muito pobre, subserviente a uma estrutura social e política retrógrada, fora a paleta de cores perfeita para atender requintados interesses econômicos. O esgotamento desta estrutura através da escassez de alimentos, alta densidade populacional e baixa renda, levou parte desta sociedade oriental a sobreviver dos mesmos “alimentos” dos tempos de “Estado de Guerra”.
A humanidade estarrecida busca culpados pela pandemia, naturalmente aponta os flagelados desta história, como os exóticos com gostos e hábitos alimentares medonhos. As paradoxais teses do existencialismo aplicadas pelos ocidentais são insuficientes para compreender que o Covid-19 é uma criação de um Sistema Econômico doente, violento, humilhante e insaciável.
Em tempos de confinamento mundial nos resta compreender que a definição polarizada do bem e do mal, é um meio covarde e artificioso de vulnerabilizar os já hipossuficientes, potencializando o caos e elegendo um bode expiatório, o que não resolve o problema. Nesta guerra pandêmica todos foram atingidos de alguma forma, e isso nos torna parte do problema, mas sobretudo também da solução.
Nietzsche em sua obra A Gaia Ciência, afirmara que somente a grande dor é a última libertadora do espírito e que a mesma, nos obriga a descer até a nossa última profundeza para tirar de nós tudo o que há de bondoso, brando, mediano, onde ali talvez, esteja depositado nossa humanidade. Por fim, conclui dizendo: “Duvido que uma tal dor melhore – mas sei que ela nos aprofunda.”